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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

SABER CALAR

Como escreve Abade Dinouart, para bem calar não basta fechar a boca e não falar; mas é preciso saber governar a língua, considerar os momentos convenientes para retê-la ou dar-lhe uma liberdade moderada.

Vivemos em um mundo adornado por discursos falaciosos, onde quem detém o poder da fala grita mais alto, usa argumentos sofisticados e ardilosos para atingir os ouvintes e convencê-los, custe o que custar.

É nessa dinâmica de falas jogadas aos quatro ventos que muita gente dispara seus discursos afinados, mas de conteúdo oco, porque são desprovidas de verdade e repletos de ingredientes que geram desavenças.

Diante dos apelos constantes para que falemos o tempo todo, mesmo que seja para importunar as ouvidos alheios com pilhérias, é importante que coloquemos freio em nossa língua afiada, para evitar estragos em nossas relações.

É nessa hora que devemos resistir bravamente à tentação de falar a esmo, feito papagaio tagarela, que não faz outra coisa a não ser repetir as palavras decoradas que aprendeu, quando não, para disparar jatos venenosos sobre os semelhantes.

Mas calar por quê? Para quê?

A todo momento, em nossas vidas, temos a oportunidade de falar até pelos cotovelos e calar pouco, sem, muitas vezes, nos preocuparmos com o teor de nossa fala; e aí, haja ouvidos para suportar tantas conversas sem conteúdo. Portanto, para calar, primeiro precisamos aprender a dominar nossa língua, porque, se descuidarmos, ela despeja palavras malignas que cortam feito navalha.

Mas, diante das circunstâncias, saber falar ou calar na hora certa não é algo tão simples que aprendemos num estalar de dedos. É um desafio que requer um exercício permanente, porque exige conhecimento da realidade em que estamos inseridos; é necessário agir com sensibilidade, bom senso, preocupação, por causa das conseqüências que uma fala mal proferida pode acarretar para nós e para os outros.

Então, a partir do exercício, é que vamos aprendendo a nos calar. Em contrapartida, passamos a falar menos e com melhor qualidade, o que significa dizer aquilo que realmente interessa.

Dessa forma, gastamos menos saliva com falas vazias e entediantes, que, às vezes, podem semear aborrecimentos e intrigas entre as pessoas.

Falar o que é proveitoso nos resguarda de cair nas armadilhas das conversas indevidas, que em nada contribuem e ainda causam problemas; assim, se houver uma vigilância em nossos pronunciamentos, evitaremos muitos fatos desagradáveis.

Se nos preocuparmos em falar o que realmente interessa a nós e vai ser bom para o outro, agiremos com sensatez, tomando-nos pessoas mais interessantes e, consequentemente, mais felizes.

Oxalá nossas falas sejam proveitosas: uma fonte que jorra a verdade, a justiça e o bem para nós e para os outros.

Se estamos dispostos a apostar nessa empreitada, só o tempo irá dizer, porque "o silêncio é necessário em muitas ocasiões, mas é preciso sempre ser sincero; podem reter alguns pensamentos, mas não se deve camuflar nenhum. Há maneiras de calar sem fechar o coração; de ser discreto sem ser sombrio e taciturno; de ocultar algumas verdades sem as cobrir de mentiras", recomenda Abade Dinouart.

Fonte: LIMA, Ivo – escritor e professor de Filosofia

Leio o Livro: DINOUART, Abade – A Arte de Calar, Martins Fontes, Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A MAIOR BRONCA QUE JÁ RECEBÍ

Tínhamos uma aula de Fisiologia na escola de medicina logo após a semana da Pátria. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas e a excitação era geral.

Um velho professor entrou na sala e imediatamente percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio. Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas você acha que minha turma correspondeu? Que nada!

Com certo constrangimento, o professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, ignoramos a solicitação e continuamos firmes na conversa. Foi aí que o velho professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que eu já presenciei. Veja o que disse:

– Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez, disse, levantando a voz e um silêncio de culpa se instalou em toda a sala e o professor continuou.

Desde que comecei a lecionar, isso já faz muitos anos, descobri que nós professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Em todos esses anos observei que de cada cem alunos, apenas cinco são realmente aqueles que fazem alguma diferença no futuro, apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Os outros 95% servem apenas para fazer volume. São medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.

O interessante é que esta porcentagem vale para todo o mundo. Se vocês prestarem atenção notarão que de cem professores, apenas cinco são aqueles que fazem a diferença, de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros profissionais; e poderia generalizar ainda mais; de cem pessoas que chamamos de amigos, apenas cinco são verdadeiramente especiais.

É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível, eu deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranqüilo sabendo ter investido nos melhores.

Mas infelizmente não há como saber quais de vocês são estes alunos. Só o tempo é capaz de mostrar isso. Portanto, terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto.

Claro que cada um de vocês sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos à aula de hoje.

Nem preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso. Aliás, a bronca tocou fundo em todos nós, pois minha turma teve um comportamento exemplar em todas as aulas de Fisiologia durante todo o semestre, afinal quem gostaria de espontaneamente ser classificado como fazendo parte do resto?

Hoje não me lembro de muita coisa das aulas de Fisiologia, mas a bronca do professor eu nunca mais esqueci.

Para mim, aquele professor foi um dos 5% que fizeram à diferença em minha vida. De fato, percebi que ele tinha razão e, desde então tenho feito tudo para ficar no grupo dos 5%, mas, como ele disse, não há como saber se estamos indo bem ou não, só o tempo dirá a que grupo pertencemos.

Contudo, uma coisa é certa: se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos, se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente sobraremos na turma do resto.

TENHA CERTEZA QUE VOCÊ FAZ PARTE DESSES 5%!

Fonte: Autor desconhecido

sábado, 23 de janeiro de 2010

ERA UMA VEZ, UMA EMPRESA...

Fui procurado por três ex-alunos meus que haviam montado uma empresa há pouco mais de um ano.

Graças ao trabalho duro, vinham crescendo rapidamente, mas as discussões passaram a ser comum entre eles pela falta da definição de uma estrutura formal e de processos claros. Além disso, nenhum deles queria assumir a liderança do negócio com medo de magoar os demais. Foi aí que procuraram o “velho mestre”.

Chegar a conclusão de uma estrutura de trabalho e distribuir responsabilidades entre eles foi o trabalho mais fácil, mas eleger um líder... ninguém queria a responsabilidade.

Eu sabia quem no grupo deveria assumir a liderança, mas não queria deixar a oportunidade de fazer com que eles aprendessem a resolver os seus problemas sozinhos. Foi aí que lembrei da fábula dos “Três Leões”, e contei para eles e agora conto para vocês.

Era uma vez uma floresta...

Um dia, o macaco, representante eleito dos animais, fez uma reunião com toda a bicharada da floresta e disse:

– Nós sabemos que o leão é o rei dos animais. Mas há um problema: existem 3 leões fortes. Ora, a qual deles nós devemos prestar homenagem? Qual, dentre eles, deverá ser o nosso rei?

Os 3 leões comentaram entre si:

– É verdade, uma floresta não pode ter 3 reis. Precisamos decidir qual de nós será o rei. Mas como fazer?

Essa era a grande questão: lutar entre si eles não queriam, pois eram muito amigos. O impasse estava formado.

– Bem, senhores leões, a solução está na Montanha Difícil. Decidimos que vocês 3 deverão escalar a montanha e aquele que atingir o pico primeiro, será consagrado rei.

A Montanha Difícil era a mais alta entre todas naquela imensa floresta.

O desafio foi aceito. No dia combinado, milhares de animais cercaram a montanha para assistir a grande escalada.

O primeiro tentou. Não conseguiu.

O segundo tentou. Não conseguiu.

O terceiro tentou. Não conseguiu.

Os animais estavam curiosos e impacientes. Afinal, qual dos leões seria o rei, uma vez que os 3 foram derrotados? Foi nesse momento que uma águia, idosa e de grande sabedoria, pediu a palavra.

– Eu sei quem deve ser o rei!!! Voava sobre eles e escutei o que disseram para a montanha, ao se verem derrotados por ela.

– O primeiro leão disse: - Montanha, você me venceu!

– O segundo leão disse: - Montanha, você me venceu!

– O terceiro leão também disse: - Montanha, você me venceu... por enquanto! Mas você, montanha, já atingiu seu tamanho final, e eu ainda estou crescendo.

E a águia completou:

– A diferença é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota. E quem pensa assim é maior que seu problema. É rei de si mesmo, está preparado para ser rei dos demais.

Os animais aplaudiram entusiasticamente o terceiro leão, que foi coroado rei da floresta.

Moral da História

As “montanhas difíceis” sempre estarão em seu caminho, e sempre lhe parecerão intransponíveis. Uma postura positiva diante das dificuldades é a diferença que faz a diferença!

Uma montanha não tem mente, alma, espírito. Você tem! Ela só o vencerá se você deixar. Lembre-se: Uma montanha tem altitude. Você tem atitude.

Você é maior que todos os seus problemas! Acredite em você!

Quanto a empresa, hoje vai muito bem, obrigado!

Fonte: Os Três Leões ­– Autor desconhecido