
Numa de minhas aulas de pós-graduação em gestão estratégica, moderava uma discussão dirigida sobre o tema: O que é mais importante nos tempos atuais: conhecimento ou sabedoria?
Um grupo defendia acirradamente que sem o conhecimento além de se conseguir entrar numa organização seria impossível ali permanecer. Logo o conhecimento era muito mais importante do que a sabedoria.
Já o outro grupo defendia a posição de que a sabedoria é mais importante, pois ela é o acúmulo de muitos conhecimentos e através deles se pode sair de qualquer situação, portanto, ela é muito mais importante.
Passado quase uma hora sem que chegassem a um consenso, resolvi intervir e contar-lhes uma história perdida nas dobras do tempo, onde um Mestre Zen aborda o assunto.
Dois discípulos procuraram um mestre zen para saber a diferença entre conhecimento e sabedoria.
O mestre disse-lhes:
¾ Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos vinte grãos de feijões, dez em cada.
¾ Subam, em seguida, a montanha que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais alto elevado, com os grãos dentro dos sapatos.
No dia seguinte os jovens discípulos começaram a subir o monte. Lá pela metade um deles estava padecendo de grande sofrimento: seus pés estavam doloridos e ele reclamava muito.
O outro subia naturalmente a montanha. Quando chegaram ao topo um estava com o semblante marcado pela dor; o outro, sorridente.
Então, o que mais sofreu durante a subida perguntou ao colega:
¾ Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura?
O companheiro respondeu:
¾ Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os vinte grãos de feijões.
Lição Aprendida
É comum que se confunda conhecimento com sabedoria, mas essas são coisas bem diferentes. Se prestarmos atenção, podemos verificar que a diferença é clara e visível.
O conhecimento é o somatório das informações que adquirimos, é a base daquilo que chamamos de cultura.
Podemos adquirir conhecimento sem sequer vivermos uma experiência fora dos livros e das aulas teóricas.
Podemos nos tornar cultos sem sairmos da reclusão de uma biblioteca.
Já a sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na pratica, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos conhecimentos previamente adquiridos.
Para se ser sábio é preciso viver, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida. É preciso buscar, sim, o conhecimento, a informação.
Deve-se atentar para não se tornar alguém fechado em si mesmo e no próprio processo de aprendizado. Fazer isso é o mesmo que iniciar uma viagem e se encantar tanto com a estrada a ponto de se esquecer para onde se está indo. E isso não parece ser uma atitude muito sábia. Então sejamos sábios: vivamos, amemos e compartilhemos o que há em nossos corações!
E que saibamos cozinhar nossos feijões...
Fonte: Sabedoria Zen Budista
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