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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

EDUCAÇÃO ENFERRUJA!

Existe uma coisa que pode ser ensinada, mas, em nosso país está cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

Neste texto não falarei do uso correto dos talheres, de falar de boca cheia, de não interromper uma pessoa que está falando, de levantar-se quando chega uma mulher ou uma pessoa mais velha e outras coisas que aprendíamos em casa e na escola e me parece que as pessoas não aprenderam ou esqueceram.

O que falarei é sobre que abrange mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza e que há algum tempo foi muito bem abordada num texto de um anônimo que falava da elegância do comportamento. Diz o texto:

Elegância do comportamento é a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas atitudes mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam.

E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no dia-a-dia.

É possível encontrar nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a porteiros, frentistas, lojistas etc.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros.

Também é possível encontra-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber um telefonema, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando ou qual é o assunto e só depois manda dizer se atende.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele sem uma forma não arrogante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolverem em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.

Se os amigos não merecem certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-las.

Educação enferruja por falta de uso.

E, detalhe: não é frescura, é a elegância do comportamento.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CONHECIMENTO OU SABEDORIA?

Numa de minhas aulas de pós-graduação em gestão estratégica, moderava uma discussão dirigida sobre o tema: O que é mais importante nos tempos atuais: conhecimento ou sabedoria?

Um grupo defendia acirradamente que sem o conhecimento além de se conseguir entrar numa organização seria impossível ali permanecer. Logo o conhecimento era muito mais importante do que a sabedoria.

Já o outro grupo defendia a posição de que a sabedoria é mais importante, pois ela é o acúmulo de muitos conhecimentos e através deles se pode sair de qualquer situação, portanto, ela é muito mais importante.

Passado quase uma hora sem que chegassem a um consenso, resolvi intervir e contar-lhes uma história perdida nas dobras do tempo, onde um Mestre Zen aborda o assunto.

Dois discípulos procuraram um mestre zen para saber a diferença entre conhecimento e sabedoria.

O mestre disse-lhes:

¾ Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos vinte grãos de feijões, dez em cada.

¾ Subam, em seguida, a montanha que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais alto elevado, com os grãos dentro dos sapatos.

No dia seguinte os jovens discípulos começaram a subir o monte. Lá pela metade um deles estava padecendo de grande sofrimento: seus pés estavam doloridos e ele reclamava muito.

O outro subia naturalmente a montanha. Quando chegaram ao topo um estava com o semblante marcado pela dor; o outro, sorridente.

Então, o que mais sofreu durante a subida perguntou ao colega:

¾ Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura?

O companheiro respondeu:

¾ Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os vinte grãos de feijões.

Lição Aprendida

É comum que se confunda conhecimento com sabedoria, mas essas são coisas bem diferentes. Se prestarmos atenção, podemos verificar que a diferença é clara e visível.

O conhecimento é o somatório das informações que adquirimos, é a base daquilo que chamamos de cultura.

Podemos adquirir conhecimento sem sequer vivermos uma experiência fora dos livros e das aulas teóricas.

Podemos nos tornar cultos sem sairmos da reclusão de uma biblioteca.

Já a sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na pratica, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos conhecimentos previamente adquiridos.

Para se ser sábio é preciso viver, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida. É preciso buscar, sim, o conhecimento, a informação.

Deve-se atentar para não se tornar alguém fechado em si mesmo e no próprio processo de aprendizado. Fazer isso é o mesmo que iniciar uma viagem e se encantar tanto com a estrada a ponto de se esquecer para onde se está indo. E isso não parece ser uma atitude muito sábia. Então sejamos sábios: vivamos, amemos e compartilhemos o que há em nossos corações!

E que saibamos cozinhar nossos feijões...

Fonte: Sabedoria Zen Budista

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

OS CROCODILOS DA VIDA

Certa vez fui procurado por um colaborador da empresa onde trabalhava como gerente, para ajudá-lo numa decisão. Ele tinha pretensões de assumir um cargo de chefia, porém teria que passar por rígida seleção interna, da qual participariam candidatos de outros estados e estava com medo de ser reprovado.

Tentei acalma-lo e procurei mostrar a oportunidade que estava aparecendo. Alem disso, contei sobre as inúmeras decisões que as pessoas são obrigadas a fazer por toda sua vida.

Apesar de ouvir-me atentamente e saber que aquele era o último dia para inscrever-se, agradeceu-me e disse que provavelmente não iria inscrever-se.

Quando fiquei sozinho na minha sala, comecei a pensar numa forma de ajudá-lo, pois sabia da sua competência, apesar da pouca idade. Lembrei-me da história dos “Crocodilos da Vida” contada por um dos meus professores e decidi eu mesmo fazer a sua inscrição.

No final do dia contei de sua inscrição e relatei-lhe o seguinte:

Um milionário promove uma festa em uma de suas mansões e, em determinado momento, pede que a música pare e diz, olhando para a piscina onde cria crocodilos australianos:

- Quem pular na piscina, conseguir atravessa-la e sair vivo do outro lado ganhará meus carros, meus aviões e minhas mansões.

Neste momento, alguém salta na piscina...

A cena é impressionante. Luta intensa e o destemido se defende como pode. Segura as bocas dos crocodilos com pés e mãos e torce o rabo dos répteis. Muita violência e emoção. Parecia um filme do Crocodilo Dundee!

Após alguns minutos de terror e pânico, sai o corajoso homem, cheio de arranhões, hematomas e quase despido. O milionário aproxima-se, dá-lhe os parabéns e pergunta:

- Onde quer que lhe entregue os carros e os aviões?

- Obrigado, mas não quero seus carros e aviões?

- E as mansões?

- Eu tenho uma bela casa, não preciso das suas. Pode ficar com elas. Não quero nada que é seu.

Impressionado, o milionário pergunta:

- Mas se você não quer nada do que ofereci o que quer então?

E o homem respondeu irritado:

- Achar o engraçadinho que me empurrou na piscina!

Moral da História

Somos capazes de realizar muitas coisas que por vezes nós mesmos não acreditamos, basta um “empurrãozinho”. Um “engraçado”, em certos casos, também é muito útil na nossa vida!

Quanto ao colaborador, hoje é um dos diretores da empresa, e mantém um peso de papel na sua mesa sob a forma de um crocodilo... Ele tem sido útil para muita gente!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

SABER CALAR

Como escreve Abade Dinouart, para bem calar não basta fechar a boca e não falar; mas é preciso saber governar a língua, considerar os momentos convenientes para retê-la ou dar-lhe uma liberdade moderada.

Vivemos em um mundo adornado por discursos falaciosos, onde quem detém o poder da fala grita mais alto, usa argumentos sofisticados e ardilosos para atingir os ouvintes e convencê-los, custe o que custar.

É nessa dinâmica de falas jogadas aos quatro ventos que muita gente dispara seus discursos afinados, mas de conteúdo oco, porque são desprovidas de verdade e repletos de ingredientes que geram desavenças.

Diante dos apelos constantes para que falemos o tempo todo, mesmo que seja para importunar as ouvidos alheios com pilhérias, é importante que coloquemos freio em nossa língua afiada, para evitar estragos em nossas relações.

É nessa hora que devemos resistir bravamente à tentação de falar a esmo, feito papagaio tagarela, que não faz outra coisa a não ser repetir as palavras decoradas que aprendeu, quando não, para disparar jatos venenosos sobre os semelhantes.

Mas calar por quê? Para quê?

A todo momento, em nossas vidas, temos a oportunidade de falar até pelos cotovelos e calar pouco, sem, muitas vezes, nos preocuparmos com o teor de nossa fala; e aí, haja ouvidos para suportar tantas conversas sem conteúdo. Portanto, para calar, primeiro precisamos aprender a dominar nossa língua, porque, se descuidarmos, ela despeja palavras malignas que cortam feito navalha.

Mas, diante das circunstâncias, saber falar ou calar na hora certa não é algo tão simples que aprendemos num estalar de dedos. É um desafio que requer um exercício permanente, porque exige conhecimento da realidade em que estamos inseridos; é necessário agir com sensibilidade, bom senso, preocupação, por causa das conseqüências que uma fala mal proferida pode acarretar para nós e para os outros.

Então, a partir do exercício, é que vamos aprendendo a nos calar. Em contrapartida, passamos a falar menos e com melhor qualidade, o que significa dizer aquilo que realmente interessa.

Dessa forma, gastamos menos saliva com falas vazias e entediantes, que, às vezes, podem semear aborrecimentos e intrigas entre as pessoas.

Falar o que é proveitoso nos resguarda de cair nas armadilhas das conversas indevidas, que em nada contribuem e ainda causam problemas; assim, se houver uma vigilância em nossos pronunciamentos, evitaremos muitos fatos desagradáveis.

Se nos preocuparmos em falar o que realmente interessa a nós e vai ser bom para o outro, agiremos com sensatez, tomando-nos pessoas mais interessantes e, consequentemente, mais felizes.

Oxalá nossas falas sejam proveitosas: uma fonte que jorra a verdade, a justiça e o bem para nós e para os outros.

Se estamos dispostos a apostar nessa empreitada, só o tempo irá dizer, porque "o silêncio é necessário em muitas ocasiões, mas é preciso sempre ser sincero; podem reter alguns pensamentos, mas não se deve camuflar nenhum. Há maneiras de calar sem fechar o coração; de ser discreto sem ser sombrio e taciturno; de ocultar algumas verdades sem as cobrir de mentiras", recomenda Abade Dinouart.

Fonte: LIMA, Ivo – escritor e professor de Filosofia

Leio o Livro: DINOUART, Abade – A Arte de Calar, Martins Fontes, Rio de Janeiro, RJ

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