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sexta-feira, 5 de março de 2010

O POEMA DA QUALIDADE

Foi na época como professor de pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing que tive uma da mais grata e bela oportunidade de ouvir alguém falar sobre Qualidade. Um empresário – Fernando C. Mota – que muito mais de estar sensibilizado, tinha sido inoculado pelo “vírus da qualidade” (a única doença que depois de contaminado não se quer ficar bom).

Tudo começou com um convite que recebi para transmitir para sua equipe os primeiros conhecimentos de Qualidade. Desse primeiro encontro surgiram outros.

Em um desses encontros, estávamos conversando sobre a importância da definição da Visão de Futuro pelo principal executivo da organização. Ele, como ocupava aquela posição, estava encarregado de apresentar sua visão no encontro seguinte, para consensá-la com a sua equipe.

No dia da jornada, Fernando levantou-se e disse: – Para mim, Qualidade, por suas normas, ferramentas, procedimentos, processos e outras ações e providências, não tem emoção. Para mim, Qualidade é muito mais do que tudo isso!... Colocando ação as suas palavras, tirou da camisa um papel e lendo-o nos deu uma das mais belas lições de qualidade que tive na minha vida. Dizia o papel, que tomo a liberdade de ajustá-lo “um pouco” aos nossos tempos:

No Brasil, assim como em todo mundo, fala-se muito a respeito da Qualidade. Isto é muito bom, pois indica uma tendência de mudança cultural de um povo. Mas o que é Qualidade?

Qualidade é conformidade com as especificações, diz um dos “gurus” da Qualidade. É adequação ao uso, afirma outro. É a satisfação das necessidades dos consumidores, menciona ainda outro...

Mas tudo isso é muito árido? Vamos colocar um pouco de emoção, sensibilidade e calor nessa definição, através do Poema da Qualidade. Diz ele:

Qualidade é toda obra de Dolores Duran; é a emoção incontrolável de cada nota das composições de Puccini; é a Terra Tombada exalando cheiro do campo, interpretada por Chitãozinho e Xororó; é a sensibilidade agitada de Tchaiskovski recolhendo melodias do mundo; é todo o conjunto de músicas do movimento da bossa-nova, feita através das mãos de Deus, especialmente Manhã de Carnaval e Minha Namorada.

Qualidade é o time feminino de basquete arremessando as nossas emoções à cesta; é aquela esquadra de camisas verde e branca formada por Oberdan, Djalma Santos, Luis Pereira, W. Fiume, G. Scoto, Dudu, Ademir da Guia, Julinho, Mazola, Jair Rosa Pinto e Rodrigues; é a seleção masculina de vôlei cortando as nossas tristezas e frustrações.

Qualidade é o rádio receptor Zenith Trans Oceanic das décadas de 40 e 50 espalhando músicas pelo mundo e o Cadillac 1954 projetado pelos deuses.

Qualidade é o carinho maternal do atendimento do Laboratório Fleury; é a certeza centenária que sai da farmácia Veado de Ouro e os ensinamentos do Colégio Militar do Rio de Janeiro, do Pedro II e do Estadual de São Paulo nas décadas de 50, 60 e 70.

Qualidade é a Floresta Amazônica exalando oxigênio para o resto do mundo; é o Pantanal protegendo a Juma; é a Mata Atlântica chamando de volta Pedro Álvares Cabral e a virgindade da ilha de Fernando de Noronha.

Qualidade é a formosura irradiada pela Luisa Brunet; é o enfeite jambo da Sônia Braga; é a beleza espacial de Cynthia Benini e a pérola dourada da Marilyn Monroe.

Qualidade é Brahma gelada curtida no calor da Califórnia; é o vinho branco alemão retirado do barril do céu; é a água cristalina do poço de uma chácara de Piedade.

Qualidade é o “blend” perfeito das vozes de Os Cariocas; é a riqueza de tons da interpretação de Agostinho dos Santos; é o vôo rasante ao longo da voz de Pavarotti; é a suavidade da garganta do Tito Madi; é a firmeza do Roberto Goulet; é a melodia de Nat King Cole; é o balanço murmurado de João Gilberto; é a potência da Sandra de Sá e da Ivete Sangalo e a transformação facial do Mario Lanza.

Qualidade é a interpretação temperada e forte de Fernanda Montenegro; a alucinação extrema em cada gesto de James Dean; a caipirice autêntica de Lima Duarte; a nobreza de Paulo Autran; a pureza de Chaplin e a ingenuidade do Gordo e o Magro.

Qualidade é o amor à pátria e a dignidade que os nossos atletas dos Jogos Pan Americanos e Olímpicos possuem; é a infância despreocupada vivida atrás de figurinhas e bolas de futebol; é o reduto familiar onde a gente encontra força e estímulo para tocar a vida.

Qualidade é tudo isso e muito, mas ela só tem razão se iniciar dentro de você.

Daquele dia em diante, todas às vezes que buscava algum texto para usar nas minhas aulas, esperava que ele fosse além de seus ensinamentos sobre Qualidade. Que transmita emoção!

A você Fernando, muito obrigado pela lição e por ser meu amigo!

Fonte: SILVA, Antomar Marins e – Qualidade: O Desafio da Secretária, Rio de Janeiro, RJ – antomar.marins@gmail.com

Um comentário:

Sônia Silvino disse...
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