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sábado, 7 de julho de 2012

A TAREFA DO LÍDER É DESENVOLVER LÍDERES.


A liderança partilhada num mundo em mudança, em que as empresas devem ser revolucionárias, foi a tônica das intervenções. Ouvimos a sua lição de Peter Drucker sobre o assunto e resumimos o essencial.

Todas as organizações precisam de líderes, mas muitas delas negligenciam o seu desenvolvimento. Discuti com o líder de uma empresa japonesa, que morreu na década de 80 e com quem trabalhei durante 30 anos, qual era o seu negócio. Ele não disse que eram instrumentos de precisão de alta tecnologia, respondeu: "Desenvolver líderes."

Preocupava-se com os jovens e passava muito tempo a descobrir quais os seus pontos fortes, para lhes atribuir funções onde essas capacidades pudessem produzir resultados, em trabalhos desafiantes onde pudessem aprender e desenvolver-se. Induzia neles o sentido de que esperava que todos os jovens fizessem da sua vida pessoal e profissional uma aprendizagem contínua de si próprios. Registrava as suas expectativas e alguns meses depois lhes dava feedback dos resultados, entretanto, alcançados.

Indagava sempre: "Onde é que esta pessoa pertence?" E atribuía-lhes enormes responsabilidades. Em meados dos anos 60, quando essa empresa era de média dimensão, escolheu um indivíduo para comandar os negócios na Europa. Ele dera provas no domínio técnico, mas não falava uma palavra de outra língua que não o japonês. A mim parecia-me um enorme risco nomear essa pessoa, mas ele respondeu:

"Não estou a arriscar, estou a pô-la onde ela pertence."Ele estava certo. Em poucos anos a Europa tornou-se a origem de 40% das vendas da empresa (superior às vendas no mercado doméstico, o japonês), no valor de 180 milhões de contos. Hoje é o presidente executivo responsável pela região europeia.

Costumava enfatizar que a responsabilidade última era dele, enquanto presidente executivo, e que dela não podia abdicar. Se as coisas corriam bem deixava as pessoas ficarem com os méritos, mas se corriam mal chamava a si a responsabilidade. Em crise não há liderança partilhada: se o barco se está a afundar o capitão não pode convocar uma reunião, tem de dar ordens. Um dos maiores segredos da liderança partilhada é saber quando ser o chefe e quando ser o parceiro.

Não há nada de novo nestes princípios, que encontrará em Aristóteles. Mas por que razão não se encontram mais exemplos destes? Penso que por dois motivos principais. O primeiro é que os gestores de topo receiam perder o poder, querem dominar. Mas os verdadeiros líderes não receiam a força. O outro obstáculo básico é o receio da diferença. Querem pessoas à sua semelhança, esquecendo-se de que só a mediocridade é uniforme. Temos de tolerar e até de cultivar a diversidade.

Isto é cada vez mais relevante, numa altura em que muitas pessoas sabem mais do que o chefe. Este deve aprender a construir uma equipa em que os especialistas tomem a liderança nas áreas em que dominam com superioridade.

Os líderes têm de aprender a lidar com essa realidade e com o fato de trabalharem com pessoas que não controlam (pares, parceiros), a quem não podem dar ordens - só se pode fazer uma equipa de liderança. Tudo isto parece óbvio, mas não é simples. Exige muito, mas, em contrapartida, dá muitas recompensas.

Autora: Isabel Canha - Portugal
Peter Drucker é considerado o pai da gestão. Entre as suas inúmeras obras contam-se As Fronteiras da Gestão e Gerindo para o Futuro. 

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