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domingo, 16 de novembro de 2014

VOCÊ É MAIS INTELIGENTE DO QUE PENSA

Para ilustrar o texto de hoje, eu tenho um exemplo muito interessante. Uma pessoa foi ao oftalmologista. Ao final do exame, o médico retirou o seu óculos e entregou-o ao paciente. Disse: "Aqui está, pode usar". O paciente, surpreso, pegou os óculos, colocou-o. Como era de se esperar, não enxergou nada. Retrucou então: "Mas Doutor, este óculos não servem para mim". O médico, indignado, gritou: "Mas como não servem, eu o uso há vários anos e nunca tive problema algum".

Assim é a nossa educação. O mesmo enfoque é dado a todos os alunos. Porém cada aluno é um ser único, com habilidades e percepções diferentes do mundo. Garrincha era um gênio do futebol. Porém em uma sala de aula certamente não receberia a mesma denominação. Qualquer um de nós, entretanto, por mais que estude ou treine, não conseguirá chegar aos seus pés.

Como então prescrever uma receita igual para trinta alunos ou mais, que é a média de estudantes nas escolas atualmente? Alguns se sobressaem, outros vão seguindo, muitos não conseguem acompanhar os demais. Os que ficam para trás, sofrem com a redução de sua autoestima. São prejudicados e carregam, por muitos anos, os efeitos trágicos de sua crença em sua capacidade inferior.


Os professores, por sua vez, para manter a ordem, são forçados a impor a disciplina, sufocando a criatividade e direcionando os alunos para o que os livros, os pais, a sociedade e o programa escolar pedem.

O professor Howard Gardner, da universidade de Harvard, afirma em seu livro chamado "Frames of Mind", que possuímos 7 tipos de inteligência. São elas:

  • Inteligência Linguística
  • Inteligência Lógica
  • Inteligência Musical
  • Inteligência Cinestética
  • Inteligência Visual
  • Inteligência Espacial
  • Inteligência Intrapessoal
  • Inteligência Interpessoal
A educação formal privilegia a inteligência linguística e a inteligência lógica ou matemática. A inteligência linguística revela nossa capacidade de ler, de escrever e de comunicar por palavras. A inteligência lógica mede a nossa capacidade de cálculo e de raciocínio.

Muitos de nós nos surpreendemos, muitos anos após deixarmos a escola, ao constatarmos que o pior aluno da classe foi o que foi se deu melhor na vida. O primeiro da turma muitas vezes não chegou a lugar nenhum. A inteligência interpessoal, que é a capacidade que temos de nos relacionar com os demais, é tremendamente importante para o sucesso na vida. Se o primeiro da turma só sabe fazer contas é melhor se precaver.

O resultado perverso deste sistema escolar, que privilegia algumas habilidades apenas, resulta na diminuição da autoestima daqueles que não conseguem se encaixar.

Muitos saem da escola acreditando piamente em sua incapacidade de aprender. Este preconceito criado por nós mesmos nos prejudica em diversos aspectos de nossas vidas.


Uma professora conta: "Eu tive uma aluna, em um de meus cursos de inglês, que possuía uma tremenda dificuldade de aprender. A pronúncia era terrível, não conseguia se lembrar de nada, enfim, um caso perdido. Um dia, em uma de nossas aulas, ela teve uma performance brilhante. Conseguia estabelecer diálogos com frases perfeitas, a pronúncia excelente, uma total revelação. Fui observando a performance dela, muito surpreso. Perto do final da aula, cometi o erro fatal: fiz um elogio. Neste momento, ela se deu conta de que estava fazendo algo que conscientemente ela nunca poderia fazer. Falar bem o inglês. Quando ela se deu conta disto, voltou a ser como era antes, terrível."

Vejam só, este é um caso típico de alguém que construiu barreiras altas ao seu redor. Por qual razão estas barreiras foram criadas? Um curso de inglês tradicional, onde a receita única para todos não deu certo para ela? Possivelmente.

Estas barreiras não se restringem a áreas específicas. O efeito se estende para todos os aspectos de nossas vidas.

Tudo isto é absolutamente desnecessário. Todos nós, em maior ou menor grau, somos muito mais inteligentes do que pensamos. Precisamos apenas acreditar nisto. Não somos iguais. Cada um de nós é único. Possuímos habilidades que nos tornam imprescindíveis e importantes. Precisamos apenas acreditar em nosso potencial. Se a aluna tivesse, naquele momento mágico, tomado consciência de seu potencial, certamente teria resolvido o seu problema da língua inglesa (e talvez de muitos outros). Ao acreditar em suas limitações, deixou de abrir um enorme campo de oportunidades para si mesma.

Mais adiante ela relata: "Nos meus cursos de inglês instrumental, eu emprego a maior parte do tempo explicando às pessoas como o aprendizado se processa, como o nosso cérebro absorve informação, e me esforçando por restaurar a autoestima dos alunos. O aprendizado do inglês é, para muitos, uma experiência traumática. É importante para a maior parte das profissões e muitos não conseguem aprender. Por incrível que pareça, no tocante a metodologia do ensino do inglês para leitura, tudo o que é preciso ser dito, é transmitido na primeira aula. Todas as outras aulas são empregadas reforçando os conceitos e principalmente, tentando convencê-las de que são capazes de aprender qualquer coisa que queiram."

Tony Buzan, o criador do método de aprendizado chamado "Mind Mapping", ou "Mapas Mentais", afirma:

"Na escola, passei milhares de horas aprendendo matemática. Milhares de horas aprendendo linguagem e literatura. Milhares de horas em ciências, geografia, e história. Então me perguntei: quantas horas passei aprendendo como minha memória funciona? Quantas horas passei aprendendo como meus olhos funcionam? Quantas horas aprendendo como aprender? Quantas horas aprendendo como o meu cérebro funciona? Quantas horas aprendendo sobre a natureza de meu pensamento e como ele afeta meu corpo? E a resposta foi: nenhuma, nenhuma, nenhuma, nenhuma."


Para reforçar o título deste artigo, veja o que Tony Buzan tem a dizer a respeito de nosso cérebro:

"Seu cérebro constitui-se de um trilhão de células. Cada célula cerebral assemelha-se ao menor e fenomenalmente mais complexo polvo. Ele possui um centro, tem várias seções e cada seção possui muitos pontos de conexão. E cada uma dessas bilhões de células cerebrais é, muitas vezes, mais potente e sofisticada do que a maioria dos computadores atualmente existentes no planeta. Cada uma dessas células cerebrais conecta ou abraça, em um certo sentido, dezenas de milhares a centenas de milhares de outras células. E elas emitem informação nos dois sentidos. O cérebro também já foi chamado de tear encantado, o objeto mais extraordinariamente complexo e bonito que existe. E cada pessoa possui um."

Existem no mundo inteiro, diversas iniciativas bem sucedidas e comprovadas de aumento da capacidade humana de aprender. O que estas iniciativas têm em comum é um olhar interno para o ser humano, entendendo suas motivações, os fatores que nos levam a ter um melhor desempenho e tudo o que tradicionalmente não nos ensinam na escola, universidade ou onde quer que seja.

Pense nisto e uma boa semana. 

Referências:
Revolucionando o Aprendizado - Gordon Dryden e Jeannette Vos - Editora Makron
Revista Vencer, Ano III, nº 27 - http://www.vencer.com.br

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