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segunda-feira, 13 de junho de 2011

O PORCO VOADOR

Na revista Executive Digest li um interessante artigo de Ricardo Vargas, e hoje tenho o prazer de transcrevê-lo para os leitores do meu blog. Escreve o autor:

Um projeto falhado, uma empresa falida, uma relação quebrada, uma expectativa de carreira não cumprida, a perda emocional de assumir publicamente: falhei.

Nunca é fácil dar “n” anos de vida ou “x” recursos investidos como perdidos. Mas o pior é o sonho falido. Dizer, ainda que apenas para si próprio, “afinal não consegui” soa a autotraição, a “confiei em mim e deixei-me ficar mal”, a “não sei bem o que ando aqui a fazer.” É por isso que tantas coisas se prolongam para além do fim. Estão já mortas sem o saberem.

Empresas, projetos, carreiras, relações. Os psicólogos dizem que é a negação da realidade, a dificuldade em aceitar os sunk costs, os custos de afundar um projeto. E por não os aceitarmos mantemos a situação em agravamento constante até ao ponto em que se torna insustentável, em que a realidade nos atropela a ilusão para se impor.

Empreender é um negócio arriscado. No longo prazo a taxa de insucesso é maior do que a de sucesso, seja em que área for. Não é necessariamente por sermos maus que falhamos, é também porque o mundo gira de formas imprevisíveis, para além da nossa capacidade de compreensão.

Mas, sobretudo falhamos porque tentamos, porque perder faz parte do jogo, é um resultado provável em que preferimos não pensar.

À partida todos os investimentos são a fundo perdido.

Só pensando assim conseguimos assumir o risco à medida do que podemos perder. Só pensando assim conseguimos a leveza e o desapego indispensáveis para lidar racionalmente com as dificuldades, com os obstáculos que testam o nosso engenho e determinação, mas também a nossa humildade. Napoleão, que ganhou algumas batalhas, disse um dia: “às vezes retirar é mesmo a melhor estratégia.” Quem somos nós para o contradizer?

A verdade é que não há alternativa a empreender, a investir, a começar e empurrar projetos. A imobilidade é um pecado capital. Um desperdício de vida. E é verdade que a persistência é uma característica indispensável a quem empreende. Tudo o que é novo exige energia para vencer contrariedades. Desistir ao primeiro sinal de dificuldade não é inteligente. Mas prosseguir quando o jogo acabou também não o é.

Onde está o equilíbrio? Como saber se o esforço ainda vale a pena ou já não vale a pena? Qual é o critério? Financeiro? Desistir quando o dinheiro se esgota? Emocional? Desistir quando não suportamos mais? Relacional? Desistir quando somos a última pessoa que ainda acredita? Uma conjugação de todos?

Encontrar o ponto de não retorno é um exercício individual. Mas há algumas ações que nos podem ajudar a identificá-lo quando chega. Desde logo definir limites para as soluções a implementar. Um prazo é sempre útil.

Uma solução fora de prazo não serve. Limitar a utilização de recursos também dá jeito. Arrisco a dizer que para a maioria dos problemas graves existem soluções, mas os recursos que elas exigem são muitas vezes incomportáveis. Em terceiro lugar vêm os critérios mínimos de resolução.

Já que nenhuma solução é perfeita, o que é mais importante na sua composição? Finalmente aparecem os critérios emocionais. Que solução é satisfatória? A regra que nos mantém atentos e focados na solução é: se o prazo estabelecido chegou e uma solução satisfatória, que cumpra os requisitos mínimos dentro dos recursos disponíveis não foi encontrada, então mais vale desistir.

Amanhã começamos de novo. É importante saber quando continuar. Os obstáculos engrandecem a obra. Mas também é importante saber quando desistir. Por mais comprida que seja a pista, o porco não levanta voo.

Autor: Ricardo Vargas - http://www.executivedigest.pt/

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