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sábado, 23 de abril de 2011

O QUE É LIDERANÇA ADAPTATIVA?

Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático considerado o “pai da dialética”, certa vez escreveu: Não existe nada mais permanente do que a mudança!  Diferente dos filósofos da época que haviam percebido o dinamismo das mudanças que ocorrem na physis, como o nascimento, o crescimento e a morte, mas que não chegaram a problematizar a questão, Heráclito parte do princípio de que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático...

É exatamente isso que ocorre no mundo moderno: profundas incertezas e de grandes turbulências, quer no mundo das organizações, quer ao nível das famílias. Como escreve E. Silva Melo: Deparamos com importantes desafios, cuja resolução ou esclarecimento são fundamentais para que nos possamos manter na nossa zona de conforto.

Estas exigências potenciam a necessidade de uma liderança forte, competente e criativa, mas não só, obrigam a uma adaptação, à necessidade de gerir mudanças constantes e profundas, à alteração de valores e de hábitos, ao desenvolvimento de novas estratégias e à aprendizagem de novas formas de operar.

Nada melhor para entender este assunto é ler o que escreve o M. Linsky, Professor da Universidade de Harvard e considerado uma das maiores autoridades em questões de lideranças.

Segundo ele, “adaptive leadership” ou liderança adaptativa constitui um conjunto de estratégias e de práticas que podem ajudar as organizações e as pessoas que as integram a ultrapassar congestionamentos, a implantar mudanças profundas e dolorosas, a desenvolver a capacidade de adaptação aos desafios e à concorrência. Acima de tudo, liderança adaptativa não é um termo familiar, habituados que estamos aos aspectos positivos da liderança; constitui ao invés o lado negro da mesma, trata da perda, realça os perigos e as dificuldades da liderança.

E enfatiza o Professor: Estes problemas não podem ser resolvidos por especialistas, uma vez que a solução está nas pessoas que têm de abdicar de vícios instalados e regalias adquiridas aprendendo outras formas de trabalho. Neste sentido, o processo de mudança é frágil, provoca desequilíbrios, desconfortos e uma profunda agitação nas organizações. São estes, aliás, os chamados desafios adaptativos; indistintos, vagos e difíceis de identificar.

Um dos aspectos relevantes desta forma de liderança é a sua capacidade para distinguir desafios adaptativos e problemas técnicos. Na realidade, a escolha de um conceito por outro, ou a sua pura indistinção, constitui uma falácia muito frequente e facilita àqueles que têm autoridade aplicar o que melhor sabem indo ao encontro das expectativas dos seus superiores, atenuando os seus temores e permitindo que a organização sossegue debaixo da ilusão de que os problemas desaparecerão.

Como Silva Melo conclui o artigo Uma nova Forma de Liderança, publicado no Diário Económico, de Portugal: É frequente as organizações e os governos caírem neste erro, é mais fácil, é mais confortável e funciona como analgésico e não como antibiótico para os problemas que se vão colocando. Lidar com desafios adaptativos, enfrentar dificuldades de forma a acelerar o ritmo da mudança, utilizar o conflito como catalisador da mesma (utilizar o conflito é fundamental à mudança) são em resumo, as tarefas de uma liderança adaptativa.

Autores:
Eduardo Silva MeloDiário Económico, Portugal – www.diarioeconomico.com/
Marty LinskyHarvard University – Estado Unidos – www.harvard.edu/
Prof. A. Marins – Marins & Molnar Business Solutions – www.antomarmarins.com.br

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