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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

MODELO DE FLUXO: FERRAMENTA PARA EQUILIBRAR DESAFIOS E HABILIDADES

Você já esteve tão envolvido em fazer algo que você perdeu a noção do tempo? Tudo ao seu redor - o toque de telefones, as pessoas que passam nos corredores e o ruído da rua pareciam desaparecer. Sua atenção estava voltada inteiramente para o que você estava fazendo, e estava tão envolvido que até perdeu o almoço.

Você se sentiu energizado, mesmo alegre com o que você estava fazendo.

A maioria de nós já teve essa experiência num momento ou outro. Os psicólogos chamam isso de "fluxo". Quando isso acontece esquecemos nós mesmos e seguimos em frente por instinto, completamente dedicados à tarefa diante de nós.

Neste artigo, vamos examinar em detalhes o fluxo olhando para um modelo. Vamos rever a forma como o modelo pode nos ajudar a entender por que encontramos algumas tarefas muito mais fáceis do que outras. Também vamos ver como você pode usar as idéias por trás do modelo de fluxo e o experimentar com mais frequência para produtivo.

O Modelo de Fluxo

O modelo de fluxo (ver Figura 1) foi introduzido pela primeira vez pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi. Ele escreveu sobre o processo de fluxo em seu livro "Flow:. The Psychology of Optimal Experience" em 1990, mas somente publico esta versão do modelo em 1997.


O modelo mostra os estados emocionais que estamos propensos a experimentar ao tentar completar uma tarefa, dependendo da dificuldade percebida do desafio, e nossas percepções de nossos níveis de habilidade.

Por exemplo, se a tarefa não é difícil e não requer muita habilidade, estamos propensos a sentir apatia em relação a ele. Mas diante de uma tarefa desafiadora, sem as habilidades necessárias poderia facilmente resultar em preocupação e ansiedade.

Para encontrar um equilíbrio, e para darmos o nosso melhor, temos que ter um desafio que é significativo e interessante. Além disso, nós precisamos de habilidades bem desenvolvidas para que estejamos confiantes para podemos enfrentar o desafio. Isso nos leva a uma posição em que podemos experimentar o "fluxo" (sendo totalmente envolvida e engajada na atividade).

Este estado de fluxo é frequentemente observado em pessoas que dominam os seus negócios, arte, esporte ou hobby. Eles fazem tudo o que eles estão fazendo parecer fácil, e eles estão totalmente envolvidos com ele.

10 Componentes de Fluxo

Como você sabe quando você está experimentando o fluxo? Csikszentmihalyi identificou 10 sensações que mudarão de acordo com o estado de estar no fluxo:

  1. Ter uma compreensão clara do que você deseja alcançar.
  2. Ser capaz de se concentrar por um período sustentado de tempo.
  3. Perder o sentimento de consciência de si mesmo.
  4. Constatação de que o tempo passa rapidamente.
  5. Obter um feedback direto e imediato.
  6. Experimentar um equilíbrio entre os seus níveis de habilidade, e o desafio.
  7. Ter um senso de controle pessoal sobre a situação.
  8. Sentir que a atividade é intrinsecamente gratificante.
  9. Falta de consciência das necessidades corporais.
  10. Estar completamente absorvido pela própria atividade.

Lembre-se que todos esses fatores e experiências não têm necessariamente de estar no lugar para o fluxo acontecer. Mas é provável que você experimentar muitos deles quando ocorre fluxo.

Três Condições

Csikszentmihalyi também identificou três coisas que devem estar presentes, se você quiser entrar em um estado de fluxo:

  1. Metas - Objetivos adicionar motivação e estrutura para o que você está fazendo. Se você está aprendendo uma nova peça de música ou criar uma apresentação, você deve estar trabalhando para um objetivo a experiência de fluxo.
  2. Equilíbrio - Deve haver um bom equilíbrio entre a sua habilidade percebida e o desafio percebido da tarefa. Se um destes fatores pesar mais do que o outro, o fluxo provavelmente não ira ocorrer.
  3. Comentários - Você deve ter uma visão clara, imediata, de modo que você possa fazer mudanças e melhorar o seu desempenho. Isso pode ser um feedback de outras pessoas, ou a consciência de que você está fazendo progresso com a tarefa. 
Usando o Modelo de Fluxo

Para melhorar suas chances de experimentar o fluxo, tente o seguinte:

  • Estabeleça e defina metas – É importante experimentar o fluxo. Aprender a estabelecer metas eficazes podem ajuda-lo a atingir o foco que você precisa.
  • Melhore a sua concentração - Muitas coisas podem distraí-lo de seu trabalho, e alcançar o fluxo é mais difícil quando o seu foco é interrompido. Use estratégias para melhorar a sua concentração, de modo que seja mais produtivo e focado durante todo tempo.
  • Construir autoconfiança - Se você não tem confiança em suas habilidades, as tarefas podem parecer muito mais difícil do que realmente são. 
  • Obter feedback - Lembre-se, o feedback é um requisito importante para o fluxo. Certifique-se de que os sistemas de feedback e técnicas adequadas estão em vigor. Aprender a dar e receber feedback pode ajuda-lo e os outros para melhorar.
  • Faça o seu trabalho mais desafiador - Considerar estratégias e explorar formas de criar mais satisfação no trabalho.
  • Melhore suas habilidades - Fazendo uma “análise SWOT pessoal”, pode ajuda-lo a identificar as habilidades que você precisa para trabalhar e para ser bem sucedido. Você por exemplo, desenvolver um plano para melhorar suas habilidades para a completar as tarefas mais desafiadoras.
  • Treine-se - Se você não tem um mentor ou coach para ajudá-lo através de tarefas desafiantes, aprenda a treinar-se. 
Conclusão

Fluxo é um estado que atingimos quando nossas habilidades percebidas correspondem ao desafio percebido da tarefa que estamos fazendo. Quando estamos em um estado de fluxo, parece que esquecemos o tempo. O trabalho que fazemos pode nos encher de alegria, e perdemos a noção de tempo e concentramos totalmente na tarefa. Este é o estado que estamos, quando fazemos o nosso melhor trabalho, e estamos mais produtivos.
O modelo de fluxo mostra a relação entre a complexidade de tarefas e seu nível de habilidade percebida. Você pode usar o modelo para descobrir por que você não está conseguindo atingir determinada meta ou objetivo. Ela também pode ajudá-lo a descobrir se você está precisando melhorar suas habilidades ou aumentar o desafio ou determinadas tarefas.

Pense nisto e uma boa semana.

Fontes:
CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly, A Descoberta do Fluxo, Editora Rocco, SP
SILVA, Antomar Marins e – Gestão Estratégica de Negócios: Pensamentos e Reflexões – http://profamarins.blogspot.com
SILVA, Antomar Marins e – Sonhar é para Estrategistas, Editora Ciência Moderna, Rio de Janeiro, RJ

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SONHOS, OUSADIA E AÇÃO

Albert Einstein (1879-1955), físico alemão famoso por desenvolver a Teoria da Relatividade, mencionou durante sua vida, várias frases famosas. Uma delas é: "Nunca penso no futuro. Ele chega rápido demais".

Para um gênio como Einstein que vivia muito à frente de sua época, tal frase poderia ter certo sentido. Mas também deixa claro que sua preocupação era agir no presente, no hoje, e as consequências dessas ações seriam repercutidas no futuro.

Ainda utilizando frases do físico, mais uma vez ele quebra um paradigma quando cita: "A imaginação é mais importante do que o conhecimento".

Os céticos podem insistir em afirmar que o mais importante é adquirir conhecimento. No entanto, sem a criatividade nascida de uma boa imaginação, de nada adianta possuir conhecimento se você não tem curiosidade em ir além.

O conhecimento é muito importante para validar a criatividade e colocá-la em prática, mas antes de qualquer ação existiu a imaginação, um sonho que aliado ao conhecimento e habilidades pode transformar-se em algo concreto. Já a imaginação criativa, sem ações, permanece apenas como um sonho.

Ainda à frente de sua época e indiretamente colaborando para os dias atuais, Einstein mais uma vez apresenta uma citação interessante: "no meio de qualquer dificuldade encontra-se a oportunidade".


Ou seja, mesmo em meio a uma crise, podemos encontrar oportunidades. Oportunidades aos empreendedores, aos inovadores, às pessoas e empresas que tiverem atitude e criatividade, que saiam da mesmice, que não se apeguem a fatos já conhecidos, mas busquem o novo, o desconhecido.

Como profissionais, precisamos ser flexíveis e multifuncionais. Devemos deixar de nos conformarmos em saber executar apenas uma atividade e conhecer várias outras, nas quais com interesse e dedicação podemos ser diferenciados. Já as organizações devem encontrar em uma nova realidade, novos usos de produtos e boas oportunidades para os mercados que passaram a existir. E para fechar este artigo com chave de ouro, cito outra sábia frase de Einstein: "Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário".

Acredite, tudo é possível desde que seja dado o primeiro passo. Você pode realizar seus sonhos se tiver confiança e lutar por eles. Poderá encontrar novas oportunidades desde que olhe "fora da caixa" e seja o primeiro a descobrir uma chance que ninguém está conseguindo ver. Para se chegar a uma longa distância é preciso, antes de tudo, dar o primeiro passo. Parecia impossível o homem voar e ir à lua. 

Quem imaginou, 30 anos atrás, que poderíamos acessar milhares de informações em milésimos de segundos através da Internet? Mas para estas perguntas, por mais óbvias que sejam as soluções, faço das palavras de Einstein, minha resposta: alguém que duvidou e provou o contrário.

Pense nisto e uma boa semana.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

QUAL É A PARTE QUE TE CABE?

Há um tempo atrás li excelente texto de Júlio Clebsch, Gerente Editorial da Revista Liderança e fiz muito bem em guarda-lo, pois as coisas custam muito a mudar em nosso pais, infelizmente para todos nós.

Hoje resolvi reproduzi-lo para que as pessoas reflitam sobre o assunto e que tenham a oportunidade de debatê-lo com outras pessoas. Só assim, conseguiremos transformar o nosso Brasil!

Existem muitas coisas que caracterizam este país. Entre elas, podemos citar a tolerância com que nós, brasileiros, aceitamos as “transgressões leves” ou, se preferir, os pequenos delitos. Trata-se, além do futebol, samba e carnaval, de uma instituição nacional. Iniciarei este editorial citando as mais comuns:
  • As famosas festinhas que não respeitam horários e incomodam os vizinhos.
  • Furar filas nos mais diversos locais em que elas são necessárias e ainda se passar por esperto.
  • Há aqueles que, ao primeiro sinal de engarrafamento, põem o carro no acostamento e seguem em frente.
  • Há outros que “levam” pequenas lembranças de hotéis e companhias aéreas. Você que não leva nada (burro) está pagando por esses custos, sabia? As empresas, que não são burras, agregam esses valores nos preços finais.
  • Os que pagam metade da tarifa do ônibus ao “acertarem” esse valor com o trocador e passam por baixo da roleta.
  • E o pai que condena veementemente a cola, desde que ela seja praticada pelo filho do vizinho. Se o dele assim proceder, é esperteza. 

Dessas pequenas transgressões, podemos evoluir para mais algumas. Nada, também, muito sério:
  • Aquele dinheirinho que a gente paga para o guarda “esquecer” aquela infração de trânsito insignificante.
  • O varejista que se aproveita da boa-fé do cliente. Você acha que isso não acontece? Então, vai ver que a famosa expressão “freguês de carteirinha” nasceu de geração espontânea! Aliás, em que outro país do mundo, além do Brasil, a palavra “freguês” é sinônimo de otário?
  • Há os que exaltam o elevado índice de malandros que habitam o Congresso Nacional, mas que não perdem a oportunidade de comprar um CD pirata na feirinha da cidade.
  • Aliás, o mesmo lojista que denuncia os vendedores de CDs piratas pratica o famoso caixa dois. Acho que ele se baseia no famoso ditado: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.

Como crimes – sejam eles pequenos ou não – quase sempre mantêm conexões com outros crimes, chegamos a coisas do tipo:
  • O dublê de bom-moço e bicheiro Waldemir Paes Garcia, codinome Maninho, lembra? Foi assassinado anos atrás no Rio de Janeiro. Pobre cidadão. Comoção estadual. Claro, durante muitos anos o jogo do bicho foi visto como algo positivo, uma expressão lúdica da personalidade tupiniquim, uma transgressão leve. Afinal, as 1,4 mil bancas do jogo e os 7 mil caça-níqueis que ele controlava na cidade maravilhosa geravam empregos. Foi isso que me fez entender o porquê das diversas celebridades que se apresentaram no funeral do rapaz. Entre elas, estavam lá: Edmundo, “o Animal”; o “páginas amarelas” da Veja, Romário; o ídolo do Flamengo, Grêmio e Fluminense, Renato Gaúcho (atual técnico do Grêmio), além de famosos da sociedade carioca.
  • Durante a campanha do desarmamento, houve indivíduos que construíram armas com o intuito de faturar um “extra”.
  • Várias pessoas se apresentaram como vítimas do desabamento do Palace II. Também queriam ver se faturavam um “extra”. Ajudem-me a elucidar um dilema: quem é pior, o Sérgio Naya ou as falsas vítimas de seu empreendimento picareta?
  • E o Gugu, famoso ex-apresentador do SBT, que autorizou uma falácia para milhões de telespectadores e continua livre, leve e solto. Lembra-se disso?
A cultura da esperteza e do trambique – só o leve, é claro – está tão arraigada em nossa sociedade que ser um cidadão modelo exige que se reme contra a maré ou que se beire a santidade. Não à toa, a figura do malandro virou até ópera. Por essas e outras, passei a diferenciar esperteza de inteligência, apesar de serem sinônimos.

Para mim, esperto é o cidadão que vive de pequenos golpes e vai passar toda a sua vida pensando no curto prazo e escapando de seus perseguidores – como o personagem Sísifo, da mitologia grega. O inteligente é aquele cidadão que vai desenvolver sua vida de forma a não ter de aplicar pequenos golpes nem passar todo o tempo tentando burlar a lei. Ele vive para o longo prazo e dorme com a consciência tranquila. Por mais que, muitas vezes, passe por burro, freguês e otário.

Um grande abraço e até a semana que vem. 


Autor: Júlio Clebsch - Gerente editorial da revista Editora Quantum- 
julio@editoraquantum.com.br