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domingo, 16 de outubro de 2011

AS NOVAS PERSPECTIVAS DA GESTÃO

O tema da qualidade é dinâmico, muito embora a palavra induza um conceito espontâneo e intrínseco a qualquer situação que requeira um julgamento de valor de um produto, um serviço, uma competência, uma obra intelectual ou uma vivência. De fato, as definições clássicas de qualidade vão desde o foco no produto ao foco no usuário até a percepção de valor.

Hoje, qualidade ou sistemas da qualidade são termos que passaram a fazer parte do jargão das organizações, não por modismo, mas porque sem ela não é possível viver em um ambiente competitivo de uma economia globalizada.

Dessa necessidade de competir globalmente, surgem ideias integradoras de sistemas e o conceito de organização Classe Mundial, preconizado por prêmios de qualidade, cujo marco inspirador é o norte-americano Malcolm Baldrige. No Brasil, é o Prêmio Nacional da Qualidade® (PNQ), disseminado pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que faz esse papel de impulsionar a gestão das empresas brasileiras, aumentando a produtividade, reduzindo custos e tornando-as competitivas em relação ao mercado internacional. Atualmente, por meio de um processo de aprendizado sistemático, à medida que novos valores de gestão de organizações excelentes são desenvolvidos e identificados, a FNQ atualiza os critérios de excelência, por meio de seu Comitê Critérios.

Nos últimos anos, grandes transformações gerenciais vêm impactando a dinâmica das empresas e, com isso, surgiu a necessidade de adotar práticas específicas para atender a essas demandas, como por exemplo: o desenvolvimento de produtos e processos para satisfazer melhor os clientes, a promoção da gestão do conhecimento e governança corporativa, a adoção do conceito de inovação como uma medida de avaliar resultados e processos gerenciais e a implantação de ações ligadas à ética e responsabilidade social.

Mais recentemente as novas tecnologias apareceram com forte impacto no universo corporativo. O acesso às informações e a capacidade de multiplicá-las rapidamente pela internet abriram espaço para que qualquer indivíduo pudesse efetivamente influenciar uma empresa, uma comunidade ou uma nação.

Além do advento da Internet e suas redes sociais, o acúmulo de graves problemas sociais e ambientais evidenciadas a partir do começo do século XXI trouxe novos questionamentos a respeito dos processos de desenvolvimento econômico e suas relações com o meio ambiente. A qualidade tem se aproximado de um conceito integrador maior, hoje chamado de sustentabilidade, em que a geração de valor está associada a um balanço entre os ganhos sociais, ambientais e econômicos. Para tornar operacional o conceito de desenvolvimento sustentável no âmbito das empresas, uma estratégia viável e amplamente usada é considerá-lo como a combinação de três dimensões da sustentabilidade: dimensão econômica, social e ambiental. A dimensão econômica envolve a obtenção de resultados para os acionistas, como lucratividade, crescimento, valorização das ações, redução de riscos; assim como para a sociedade, por exemplo, impacta em empregos gerados, impostos arrecadados, custos sociais evitados pela internalização de problemas ambientais, práticas leais de concorrência. Entre as ações típicas da dimensão ambiental estão as reduções de materiais e energia por unidade produzida, reduções das emissões de poluentes, substituição de componentes tóxicos, reuso e recuperação de materiais. Não discriminação no trabalho, combate à corrupção, valorização dos direitos humanos e política de beneficio são alguns exemplos de ações relacionadas com a dimensão social. O modelo denominado Triple Bottom Line, ou modelo dos Três Resultados Líquidos, desponta como um dos mais importantes para operacionalizar os fundamentos do MEG e quantificar os resultados de uma organização.

Isso mostra que o movimento pela qualidade ainda vive, porém, o debate sobre a sua abrangência adquire novas perspectivas. A inclusão da perspectiva social e ambiental como componentes da avaliação dos resultados de uma organização é a incorporação de um objetivo que a humanidade almeja.

Autor: Jorge Cajazeira, coordenador do Comitê Critérios da FNQ, Ph.D. e executivo de Relações Institucionais e Certificações da Suzano. – Artigo reproduzido com autorização da FNQ Revista - Ano 06 | nº 59 | setembro | 2011

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