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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

NOSSA LINGUA

Na Declaração dos Direitos do homem e do cidadão, datada de agosto de 1789, o artigo nono estabelece: "Todo homem é reputado inocente até que ele tenha sido declarado culpado."

Por sua vez, a Proclamação dos Direitos do homem da Organização das Nações Unidas - ONU, em seu artigo onze, afirma que "Toda pessoa acusada de ato delituoso é presumida inocente, até que sua culpabilidade tenha sido legalmente estabelecida em processo público, no qual todas as garantias necessárias à defesa lhe tenham sido asseguradas."

Recordamos, neste dia, ambos os artigos que a Humanidade abraçou, para analisarmos uma atitude que temos, muitas vezes adotado.

Basta que a mídia notifique algum fato ocorrido e um possível suspeito seja apresentado, para que de imediato tomemos a iniciativa de julgá-lo e condená-lo.

No mesmo dia, passamos a falar a respeito e estabelecemos para o condenado pela nossa razão, as penas mais cruéis.

Não faltam aqueles de nós que prescrevem as mais duras penalidades, sem indagar de circunstâncias e nem de veracidade.

Quantas criaturas já tiveram as suas vidas destroçadas pela nossa língua que, como afiado punhal, decepa a honra, o caráter e a vida particular de cidadãos, apenas suspeitos?

Já se viu, por mais de uma vez, algumas semanas ou apenas dias passados, a própria mídia apresentar o verdadeiro culpado, enquanto lastima o que fez ao anteriormente apontado.

Sem discutirmos as questões profissionais, levemos a questão para o nosso terreno pessoal.

Não seria tempo de pensarmos um tanto mais a respeito do que ouvimos, vemos, lemos?

Antes de tirarmos conclusões apressadas, não nos deveríamos permitir ao menos a dúvida inquietante, a cautela?

Oportuno se lembrar da exortação do Cristo: "Com a severidade com que julgardes, sereis julgados" e aqueloutra: "Atire a primeira pedra o que estiver sem pecado."

Antes de nos preocuparmos em disseminar o mal, atenhamo-nos em divulgar o bem.

Falemos das coisas positivas, das que enobrecem e colaboram para a tranqüilidade das criaturas.

Selecionemos uma frase edificante, um trecho construtivo, um livro nobre e falemos a respeito deles.

Tenhamos, para cada momento, em cada instante, uma palavra de alento, de bom ânimo, de otimismo.

Assim fazendo, com certeza, teremos dado ao talento da nossa língua a melhor utilidade.

Seria muito importante que, toda noite, em nosso exame de consciência nos perguntássemos: "Terei hoje utilizado a minha língua como Jesus utilizou a Dele?"

Autor: A língua, do livro Segue-me, do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. O Clarim.

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